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O ultimato Dieckmann

maio 9, 2012

Carolina Dieckmann provou, mais uma vez, que é uma mulher de peito. A atriz global resolveu pressionar a gigante Google para que a empresa retire de seu sistema as buscas pelas fotos que a consagraram como a nova musa do erotismo tipo “caiu na net”, uma vertente abastecida por ladrões digitais e paparazzi e que já vitimou gente como Luana Piovani, Daniella Cicarelli e Dercy Gonçalves.

“Tá me vendo na cam aí, porra?”

O Google vai enrolar pra acatar ao ultimato de Carolina porque eles são o Google, mano. Não serão as imagens de una sudaca desnuda que vai atropelar a fila de prioridades da empresa. Entre elas, a saber,  dominar o Terra e mais três planetas a sua escolha, arruinar o Mark Zuckerberg ou talvez serem amigos dele no caso de as ações do Facebook mandarem muito bem na bolsa.

No entanto, os caras darão cabo do tal pedido judicial, como sempre fazem também com perfis de gente morta em suas redes sociais, o Orkut e o Google+, este um verdadeiro cemitério porque não tem nenhuma alma por lá. Feito isso, para a tristeza do povo latino ávido por notícias sobre a desgracia alheia, tudo voltará ao normal.

Mas eu me pergunto: Pra quê?

Vítima e advogado alegam que o desaparecimento das fotos na internet fará com que a atriz volte a sua  digna rotina diária e possa, por exemplo, saludar ao porteiro do prédio onde mora sem nenhum pudor antes de pegar a pizza e o troco no portão. Ou participar do Domingão do Faustão numa boa sem ter que ouvir nenhum apontamento do apresentador a respeito.

“Orra, meu, mamica de silicone?”

Se existem pessoas que não viram as tais fotos e por acaso queiram apreciar o conteúdo, elas, sim, vão encontrá-las em algum lugar na rede para desespero das partes. Supondo que não haja mais nada na internet, isso aqui ainda é latinoamerica. Somos nosotros e sempre iremos arrumar um jeito de conseguir material proibido e libidinoso.

Yo, por exemplo, sou da época do pornô em VHS. Pra comprar uma fita era foda e quem não conhecia um amigo maior para alugar ou comprar na banca apelava a uma gigantesca rede de informantes que sabiam quem tinha acabado de descolar coisa da boa recentemente.

Imagina como seria fácil para nós profissionais descobrir o paradeiro do doente que salvou as fotos banidas em um pen drive ou no HD de um computador suburbano. Creo que o Google ainda não tem um algoritmo eficiente o bastante para rastrear este tipo de material como nosotros.

Se o poder de alcance da internet pode ser um agravante nestes tipos de situaciones, por outro lado o poder do hype presente na rede pode tirar este caso dos holofotes tão logo surja outro de um personagem notório que caiu na mesma cilada.

Aí as coisas voltarão ao normal como eu havia escrito, e todo mundo esquecerá a nudez de Carolina. Bueno, todo mundo menos ele:

“Rutinhaaa, olha o peitão que eu fiz!”

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Por um Big Brother mais latino

janeiro 13, 2010

Eu tinha até pensado em deixar de lado o viés desgracia deste blogue no primeiro post do ano. Sei lá, no meio da bebedeira, da euforia que sempre precede el año que se viene, passou isso pela minha cabeça. Mas aí veio o começo de janeiro e uma sucessão de desgracias increíbles.

Deslizamentos em Angra, levante contra brazucas no Suriname, Hebe Camargo com câncer, Boris Casoy e sua garifobia, enchentes…Foi difícil escolher uma para cornetar comentar aqui porque elas foram surgindo muito rápido. Porém, sempre existe a gota d’água, e ela atende pelo nome de Big Brother Brasil-sil.

Ó nóis aqui, gentzi!

Tipo, eu não acompanho a parada. Não sei quem são os participantes, de onde eles saíram, o que pretendem, etc. Não assisti ao primeiro episódio que foi ao ar ontem no canal global. No entanto, pelo pouco vi e ouvi o pessoal falando, será muito difícil esta edição conseguir ser diferente das demais.

Uma pena.

El tema es que o formato da atração é sempre o mesmo: piriguetes que vão sair na playboy, fortões pseudo-comedores e alguma figura que seja apresentada como ‘excêntrica’. Nesse grupo já tivemos idosos, tatuados e parece que agora estarão na casa uns twitteiros e uma drag queen.

Talvez seja mesmo excêntrico para aqueles que não pertecem a estes determinados grupos sociais. Os caras querem criar identificação com esses tipos de telespectadores mas no final das contas o tiro sai pela culatra. Velho não assiste reality show. Meu avô, por exemplo, curte um Law & Order: SVU no horário de exibição dos bróders. Muitos vão para a cama. A galera que curte mesmo La Casa é um pessoal mais jovem, que tem tatuagem, twitter e manja o que é uma drag.

Ronaldo.

Então por que a parada é um sucesso? Simples, o povão adora e compra o estilo de vida vendido pelos europeus e os manos do tio sam desde sempre. Não dá pra brigar contra isso, claro, mas pelo menos dá pra ser mais honesto com o público. Cadê a malemolência, o gingado, o jeito moleque latino personificado na casa mais famosa, hein?

Isso aqui é América Latina, rapá! Esto es Latinoamérica, chabón!

Conclamo para que na próxima edição do programa la casa tenga um legítimo representante latino! O Big Brother precisa de um Macunaíma boiando na piscina o dia inteiro com o cigarrillo no bico. Um Macunaíma jogando 21 sozinho num canto da sala. Uma Macunaíma tomando sol o dia inteiro sem ter escovado los dientes ao longo do dia. Macunaímas que não escondam seus instintos sexuais quando esses atingirem altos níveis durante as festas e as provas de sobrevivência.

Não. Nada a ver com isto.

Por suerte, Bial, não será difícil encontrar pessoas que se enquadrem no perfil. Quem não gostaria de uma mamata dessas e ainda correr o risco de ficar milionário no fim? Eu até me candidataria, mas esse papo de fazer vídeo pra seleção é um pé no saco. E aqui na vila não tem ninguém pra emprestar uma câmera.

Maradona: deus ou ícone pop?

dezembro 14, 2009

Maradona no es una persona cualquiera/ es un hombre pegado a una pelota de cuero/ tiene el don celestial de tratar muy bien al balón/ es un guerrero

La ilusión que o argentino sente quando o assunto se refere a Diego Armando Maradona é algo notório e sabido no mundo inteiro. Pode ser até considerada a principal commoditty blanquiceleste no mercado exterior, ao lado de Guevara, Gardel e outras personalidades e utensílios típicos del suelo argento que são bem descritos na música Argentinidad Al Palo, da genial Bersuit Vergarabat. Ou no trecho musical que dá início a este post, uma canção de Andrés Calamaro dedicada a d10s.

Maradona ficou velho, parou de jogar, se envolveu em escândalos, virou técnico. Até aí tudo bem, quantos não tiveram o mesmo dramático e melancólico fim? Mas o mito ficou, isso sim, pra alegria do povão carente de ídolos e dos tablóides ávidos por notícias que podem estragar a vida de alguém. Los sudacas somos así, não importa a cor da bandeira ou o idioma falado. Por mais que você negue, está é a verdade.


Capa épica

E como tem muita gente experta por aí, mitos bem explorados comercialmente como Dieguito costumam gerar lucro. Ou alavancar o negócio de alguém. Teve nego que fundou igreja com o nome do cara, gente que vendeu camisetas na internet com a inscrição da famosa frase “Que La Chupen”, além dos inúmeros artesãos que caminham por La Boca tentando empurrar aos turistas diversas desgracias com a imagem de Maradona.

Eu tirando uma casquinha em 2007: 12 mangos

Teve até jogador de futebol que tratou de casar com a filha do homem pra poder ficar bem cotado no mundo da bola. Além de ícone máximo do futebol argentino, o cara consegue também aquecer a economia do país e favorecer os seus compatriotas. Incrível.

Talvez seja daí que vem tamanha e inexplicável devoção.

2010, ano de Copa. Não há época melhor para começar a divulgar produtinhos novos para o consumidor maradoniano, não é mesmo? Agora, o que será que está por trás desta campanha online La Permanente A Messi, hein? Seria uma peruca revolucionária para salvar uma possível população de calvos que cresce na Argentina? Um aparelho que faz permanente para desbancar a chapinha ou o surgimento de uma nova rede de peluquerías? Na moral, será que tem gente que acredita na tese proposta? Dê o seu palpite.

Esfiha com Ricota faz bem à saúde

dezembro 10, 2009

Nham.

Apesar da aparente irrelevância do título deste post, considerem la posibilidad de acompanhá-lo até a última linha. Sobretudo las mujeres. Estou na torcida para que o apelo culinário atraia a atenção deste público numa possível busca googlística.

Pois bem, esfiha com ricota faz bem à saúde. Não sacou? Deu no argentino La Nación que excesso de limpeza vaginal prejudica mulheres e homens – esses inseridos no balaio por motivos óbvios. É sério.

Se quiser saber os pormenores médicos dá uma olha lá na matéria. Em suma, parece que muito sabão, dermacid, higicalcinha e demais produtos criados para deixar la concha apetitosa limpa desequilibram a fauna de bactérias ‘do bem’ e tornam a perseguida vulnerável ao ataque de bactérias nocivas e outras desgracias unicelulares. Usar calças apertadas e manter a depilação estilo ‘bigodinho do hitler’ também são condenáveis.

Não importa o tipo. Limpou demais, fudeu

E todo mundo pensando que aquele cheiro de bacalhau era vinculado diretamente ao descuido feminino, quando na verdade é uma parada que defende o corpo. Tsc-tsc.

Bueno, faz sentido na medida em que pensamos nas civilizações evoluindo e abandonando costumes tradicionais à época, como manter as cavidades nasais e auriculares devidamente imundas, em benefício dos padrões de beleza vigentes. Esse fator, aliado ao advento da revolução industrial, deu origem à rinite, otite, sinusite e demais ites.

Mas nem tudo está perdido. Pelo que os médicos disseram, ninguém vai precisar sair trepando por aí usando máscaras ou trocar de absorvente a cada 20 minutos ou deixar a moita crescer. Se fosse tão grave, muita gente ia morrer com o odor de peixe da Sexta-Feira Santa. Ou durante uma caminhada no Pelourinho ou em Quito. A parcimônia, a cartilha del buen milonguero, atentam para o bom senso na hora da higiene pessoal.

Nada que um Bom Ar não resolva, convenhamos.

O filho do Brasil e o menino do MEP

novembro 30, 2009

Época de eleição é legal porque sempre aparece um ou outro escândalo na imprensa relacionado a quem está ou a quem pretende algum cargo político. Quando algum fato explode, pouco importa se o que andam falando é verdade ou mentira. Bacana mesmo é ver até onde vai a criatividade humana latina quando o assunto é difamar alguém.

Um colunista da Folha de S. Paulo botou no texto trechos de uma conversa na qual o Presidente Lula aparece dizendo que tentou currar um jovem durante o tempo em que ficou preso nos idos da ditadura. Tipo, vocês sabem, pra aliviar as saudades dos afagos da Dona Marisa.

Bom, não cabe a esta desgracia de blog julgar o texto tampouco induzir você a refletir sobre o assunto. O importante aqui é deixar la latinidad aflorar e bovinamente assistir de camarote a merda toda como sempre fizemos e sempre iremos fazer.

Vamos conferir um trecho da coluna e isolar as desgracias mais relevantes:

“Você esteve preso, não é Cesinha?”
“Estive.”
“Quanto tempo?”
“Alguns anos…”
“Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Bueno, o Presidente tentou comer um cara na cadeia. Se la metió bien adentro, como diria Maradona em tom de fofoca a algum jornalista. Um cara que ele chamou de Menino do MEP, designação para jovens secundaristas acusados de subversivos a partir do AI5. Eles tinham entre 14 e 16 anos e alguns chegaram a ser presos. Carne nova.

Já ouvimos falar que a prática é corriqueira nos presídios. Alguém, geralmente os recém-chegados, tem que ceder e saciar a vontade dos demais. Aos mais incautos, isso no tiene nada que ver com o tipo de relacionamento entre Sem Chance e Lady no filme Carandiru. Neste caso, como geralmente acontece, um quer comer e o outro não quer ser comido. Tenso. E imaginar o Lula fazendo isso é uma cena muito mais tensa se você levar em consideração a barba, a rouca voz e o dedinho invisível. Nem tente.

Claro que ninguém vai conseguir comprovar nada e logo menos todo mundo vai esquecer o acontecimento. Mas, já pensaram se o Filho do Brasil chegasse a ser preso e condenado por isso? Sou um ignorante leigo em Código Penal e não sei até que ponto as qualificações Estupro e Aliciamento de Menores podem agravar um processo. Mas com certeza sei o que acontece no cadeião quando pinta um estuprador, certo? E, assim, quem com ferro fere…

Urgh

Pegando carona nos ditados infames, “quem apanha nunca esquece” vem a calhar no contexto. Acontece que o tal colunista também foi um adolescente que ficou detido durante a ditadura e sofreu com o temor da sodomização. Reagir de maneira sóbria após uma papo presidenciável com esse conteúdo é para poucos. Uma gafe desumana, eu diria. Asi como la que cometió um amigo quando inseriu um braço na foto da tia amputada via photoshop na presença dela. Ou quando um professor da época do cursinho perguntou a uma aluna que não tinha uma das mãos se ela queria uma ‘mãozinha’ pra copiar o conteúdo da lousa.

Outro ponto importante e bizarro: quem seria o tal Menino do MEP? Comprovada verdadeira ou não a história, a piadinha vai perdurar na vida do fulano. Vai carregar eternamente o estigma do cara que foi cobiçado sexualmente por Lula. Uma chacota nacional irremediável que poderia levar o indivíduo ao uso de drogas, álcool e, consequentemente, à depressão e ao suicídio.

Portanto, Menino do MEP, se você existir de fato, JAMAIS apareça em público! Não se deixe seduzir por uma possível indenização federal ou ao apelo de algum apresentador/a que ofereça seu programa vespertino para te ajudar. O Brasil não pode saber quem você é, ou tua figura será execrada para todo o sempre, assim como aconteceu com o saudoso Padre dos Balões.


Que En Paz Descanse

Acabaram com o sexo (na moita)

novembro 23, 2009

É uma grande desgracia não poder gozar. Não gozar da liberade, do direito de ir e vir. De certa forma, andam banindo os prazeres da vida latina. O consumo de cerveja e cigarro está cada vez mais cerceado. Os bingos, fechados. Música alta só até às 22h. A farra e a falta de limites sempre foram os pilares que sustentam a nossa sociedade desde eras mitológicas. Onde foi parar a boemia do saudoso Nelson Gonçalves? As cidades do prazer descritas por Nelson Rodrigues?

Por sorte, o sexo ainda está por aí. Mas por enquanto. Existem indícios de que ele se nos está escapuliendo por entre os dedos. A restrição velada parcial de alguns prostíbulos pelos governos fez com que eles ficassem concentrados em regiões específicas, criando zonas de zonas. Sacou?

Por serem poucas para atender a demanda, a lei da oferta e procura se encarregou de aumentar tudo: o lucro, a propina e o grau de instrução dos funcionários do santo meretrício, já que muitos abandonaram a escuridão da ignorância e partiram para a luz do ensino superior.

Ou seja, quem quiser agora desfrutar do serviço tem que pagar mucha plata porque o mercado da sacanagem está altamente qualificado. Não me surprenderia num futuro próximo, por exemplo, caminhar pela rua Augusta e ver certificados ISO 9000 pendurados nas recepções dos puteiros. Ou, sei lá, a criação de um SAC para atender ao cliente que se sentiu lesado:

“Nova Babilônia, boa tarde”
“Safardanas! Paguei por duas horas e me tiraram do quarto antes disso”
“Senhor, saiba que esta ligação está sendo gravada…”
“Vagabunda!”
“…e ofensas podem ser usadas contra o senhor…”
“Lambisgoia!”
“…num futuro processo judicial.”
“Pro diabo que te carregue!”

Como somos malandros, velhacos e dribladores de adversidades, arrumamos uma namoradinha aqui e ali para poder baixar os níveis da libido e não depender mais das casas de massagem. Tudo vai bem até acabar a grana reservada no orçamento para o motel e começar um verdadeiro efeito cascata de desgracias.

A casa dos pais é sempre uma boa carta na manga, mas aí a intimidade do lar sucita um relacionamento duradouro na mente feminina. O interior de um carro seria uma boa não fosse a estatística de que nós, latinos, temos na garagem geralmente uma caranga sem gasolina velha e de pequeno porte.

Aí passam pela cabeça lugares como o Parque do Estado, Piqueri, Jardim Botânico, Bric da Redenção, Pelourinho, alguna plaza arborizada de San Telmo ou aquela ruazinha mais escura do distante oitavo anillo de La Paz. “Mas é claro!”, pensa a romântica e incauta mente sudaca.

Transar à luz da lua, num parque, talvez próximo a uma linha de trem, sem ninguém por perto (ou com a possibilidade de ser visto) são fatores que excitam homens e mulheres aqui da Sudamerica.

Entretanto, eu falei que estão cerceando os prazeres da vida latina. Nem trepar nos espaços públicos podemos mais, como noticiou a Folha Online aqui. Uma verdadeira desgracia para a Saúde Pública e o bem-estar social.