Acabaram com o sexo (na moita)

Publicado novembro 23, 2009 por Bruno Sobrante
Categorias: Exibicionismo, notícia.desgracia

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É uma grande desgracia não poder gozar. Não gozar da liberade, do direito de ir e vir. De certa forma, andam banindo os prazeres da vida latina. O consumo de cerveja e cigarro está cada vez mais cerceado. Os bingos, fechados. Música alta só até às 22h. A farra e a falta de limites sempre foram os pilares que sustentam a nossa sociedade desde eras mitológicas. Onde foi parar a boemia do saudoso Nelson Gonçalves? As cidades do prazer descritas por Nelson Rodrigues?

Por sorte, o sexo ainda está por aí. Mas por enquanto. Existem indícios de que ele se nos está escapuliendo por entre os dedos. A restrição velada parcial de alguns prostíbulos pelos governos fez com que eles ficassem concentrados em regiões específicas, criando zonas de zonas. Sacou?

Por serem poucas para atender a demanda, a lei da oferta e procura se encarregou de aumentar tudo: o lucro, a propina e o grau de instrução dos funcionários do santo meretrício, já que muitos abandonaram a escuridão da ignorância e partiram para a luz do ensino superior.

Ou seja, quem quiser agora desfrutar do serviço tem que pagar mucha plata porque o mercado da sacanagem está altamente qualificado. Não me surprenderia num futuro próximo, por exemplo, caminhar pela rua Augusta e ver certificados ISO 9000 pendurados nas recepções dos puteiros. Ou, sei lá, a criação de um SAC para atender ao cliente que se sentiu lesado:

“Nova Babilônia, boa tarde”
“Safardanas! Paguei por duas horas e me tiraram do quarto antes disso”
“Senhor, saiba que esta ligação está sendo gravada…”
“Vagabunda!”
“…e ofensas podem ser usadas contra o senhor…”
“Lambisgoia!”
“…num futuro processo judicial.”
“Pro diabo que te carregue!”

Como somos malandros, velhacos e dribladores de adversidades, arrumamos uma namoradinha aqui e ali para poder baixar os níveis da libido e não depender mais das casas de massagem. Tudo vai bem até acabar a grana reservada no orçamento para o motel e começar um verdadeiro efeito cascata de desgracias.

A casa dos pais é sempre uma boa carta na manga, mas aí a intimidade do lar sucita um relacionamento duradouro na mente feminina. O interior de um carro seria uma boa não fosse a estatística de que nós, latinos, temos na garagem geralmente uma caranga sem gasolina velha e de pequeno porte.

Aí passam pela cabeça lugares como o Parque do Estado, Piqueri, Jardim Botânico, Bric da Redenção, Pelourinho, alguna plaza arborizada de San Telmo ou aquela ruazinha mais escura do distante oitavo anillo de La Paz. “Mas é claro!”, pensa a romântica e incauta mente sudaca.

Transar à luz da lua, num parque, talvez próximo a uma linha de trem, sem ninguém por perto (ou com a possibilidade de ser visto) são fatores que excitam homens e mulheres aqui da Sudamerica.

Entretanto, eu falei que estão cerceando os prazeres da vida latina. Nem trepar nos espaços públicos podemos mais, como noticiou a Folha Online aqui. Uma verdadeira desgracia para a Saúde Pública e o bem-estar social.

foto.desgracia

Publicado setembro 28, 2009 por Bruno Sobrante
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São Paulo, Brasil
Metro_restricao
Curral|Estação Sé no primeiro dia da tentativa do Metrô restringir o número de passageiros por embarque. sudorese, piolho, flatulência e outras mazelas não catalogadas reunidas no mesmo espaço.