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Por um Big Brother mais latino

janeiro 13, 2010

Eu tinha até pensado em deixar de lado o viés desgracia deste blogue no primeiro post do ano. Sei lá, no meio da bebedeira, da euforia que sempre precede el año que se viene, passou isso pela minha cabeça. Mas aí veio o começo de janeiro e uma sucessão de desgracias increíbles.

Deslizamentos em Angra, levante contra brazucas no Suriname, Hebe Camargo com câncer, Boris Casoy e sua garifobia, enchentes…Foi difícil escolher uma para cornetar comentar aqui porque elas foram surgindo muito rápido. Porém, sempre existe a gota d’água, e ela atende pelo nome de Big Brother Brasil-sil.

Ó nóis aqui, gentzi!

Tipo, eu não acompanho a parada. Não sei quem são os participantes, de onde eles saíram, o que pretendem, etc. Não assisti ao primeiro episódio que foi ao ar ontem no canal global. No entanto, pelo pouco vi e ouvi o pessoal falando, será muito difícil esta edição conseguir ser diferente das demais.

Uma pena.

El tema es que o formato da atração é sempre o mesmo: piriguetes que vão sair na playboy, fortões pseudo-comedores e alguma figura que seja apresentada como ‘excêntrica’. Nesse grupo já tivemos idosos, tatuados e parece que agora estarão na casa uns twitteiros e uma drag queen.

Talvez seja mesmo excêntrico para aqueles que não pertecem a estes determinados grupos sociais. Os caras querem criar identificação com esses tipos de telespectadores mas no final das contas o tiro sai pela culatra. Velho não assiste reality show. Meu avô, por exemplo, curte um Law & Order: SVU no horário de exibição dos bróders. Muitos vão para a cama. A galera que curte mesmo La Casa é um pessoal mais jovem, que tem tatuagem, twitter e manja o que é uma drag.

Ronaldo.

Então por que a parada é um sucesso? Simples, o povão adora e compra o estilo de vida vendido pelos europeus e os manos do tio sam desde sempre. Não dá pra brigar contra isso, claro, mas pelo menos dá pra ser mais honesto com o público. Cadê a malemolência, o gingado, o jeito moleque latino personificado na casa mais famosa, hein?

Isso aqui é América Latina, rapá! Esto es Latinoamérica, chabón!

Conclamo para que na próxima edição do programa la casa tenga um legítimo representante latino! O Big Brother precisa de um Macunaíma boiando na piscina o dia inteiro com o cigarrillo no bico. Um Macunaíma jogando 21 sozinho num canto da sala. Uma Macunaíma tomando sol o dia inteiro sem ter escovado los dientes ao longo do dia. Macunaímas que não escondam seus instintos sexuais quando esses atingirem altos níveis durante as festas e as provas de sobrevivência.

Não. Nada a ver com isto.

Por suerte, Bial, não será difícil encontrar pessoas que se enquadrem no perfil. Quem não gostaria de uma mamata dessas e ainda correr o risco de ficar milionário no fim? Eu até me candidataria, mas esse papo de fazer vídeo pra seleção é um pé no saco. E aqui na vila não tem ninguém pra emprestar uma câmera.

Maradona: deus ou ícone pop?

dezembro 14, 2009

Maradona no es una persona cualquiera/ es un hombre pegado a una pelota de cuero/ tiene el don celestial de tratar muy bien al balón/ es un guerrero

La ilusión que o argentino sente quando o assunto se refere a Diego Armando Maradona é algo notório e sabido no mundo inteiro. Pode ser até considerada a principal commoditty blanquiceleste no mercado exterior, ao lado de Guevara, Gardel e outras personalidades e utensílios típicos del suelo argento que são bem descritos na música Argentinidad Al Palo, da genial Bersuit Vergarabat. Ou no trecho musical que dá início a este post, uma canção de Andrés Calamaro dedicada a d10s.

Maradona ficou velho, parou de jogar, se envolveu em escândalos, virou técnico. Até aí tudo bem, quantos não tiveram o mesmo dramático e melancólico fim? Mas o mito ficou, isso sim, pra alegria do povão carente de ídolos e dos tablóides ávidos por notícias que podem estragar a vida de alguém. Los sudacas somos así, não importa a cor da bandeira ou o idioma falado. Por mais que você negue, está é a verdade.


Capa épica

E como tem muita gente experta por aí, mitos bem explorados comercialmente como Dieguito costumam gerar lucro. Ou alavancar o negócio de alguém. Teve nego que fundou igreja com o nome do cara, gente que vendeu camisetas na internet com a inscrição da famosa frase “Que La Chupen”, além dos inúmeros artesãos que caminham por La Boca tentando empurrar aos turistas diversas desgracias com a imagem de Maradona.

Eu tirando uma casquinha em 2007: 12 mangos

Teve até jogador de futebol que tratou de casar com a filha do homem pra poder ficar bem cotado no mundo da bola. Além de ícone máximo do futebol argentino, o cara consegue também aquecer a economia do país e favorecer os seus compatriotas. Incrível.

Talvez seja daí que vem tamanha e inexplicável devoção.

2010, ano de Copa. Não há época melhor para começar a divulgar produtinhos novos para o consumidor maradoniano, não é mesmo? Agora, o que será que está por trás desta campanha online La Permanente A Messi, hein? Seria uma peruca revolucionária para salvar uma possível população de calvos que cresce na Argentina? Um aparelho que faz permanente para desbancar a chapinha ou o surgimento de uma nova rede de peluquerías? Na moral, será que tem gente que acredita na tese proposta? Dê o seu palpite.